Há um momento na educação clássica em que o aluno deixa de ser apenas leitor e se torna autor. Não porque alguém pediu uma redação de escola, mas porque, depois de anos convivendo com os grandes livros, ele finalmente tem algo a dizer — e as ferramentas para dizê-lo bem. Foi esse momento que uma aula de Literatura da Acutis Academy alcançou, e o registrou em papel.
O professor Daniel Saldanha Pieroni propôs aos alunos um desafio simples e antigo: escrever. Não resenhas, não fichamentos — literatura de verdade. Contos e crônicas nascidos da imaginação de cada um, revisados, editados e finalmente reunidos numa revista impressa: LITERA, primeira edição, 2026. Uma revista literária completa, com sumário, diagramação cuidada e, na capa, o nome de uma aluna.
O conto de capa: Depois do Último Suspiro
A honra da capa coube a Sofia Fernandes da Silva, com um conto de uma maturidade que surpreende. Depois do Último Suspiro começa na praia, com um homem que acaba de morrer e caminha ao lado de uma figura estranha, cujo rosto envelhece a cada segundo. A figura se apresenta: é o Esquecimento — o Alzheimer que apagou, em vida, as lembranças do protagonista.
O que poderia ser uma história sobre a perda transforma-se, nas mãos da jovem autora, numa meditação sobre o amor que sobrevive à memória. O homem esquecera a família; mas descobre, naquela conversa final, que a família nunca o esquecera — a esposa que permaneceu fiel, as filhas que cuidaram dele, os netos que o amaram mesmo sem reconhecê-lo.
Você pode tê-los esquecido, mas eles nunca o esqueceram. — Sofia Fernandes da Silva, em Depois do Último Suspiro
O conto termina ao pôr do sol, com o reencontro entre pai e filhos e a certeza serena de que, em algum lugar, há sempre alguém que ama. Que uma estudante escreva sobre a dignidade da pessoa mesmo na doença, sobre a fidelidade da família e sobre a esperança diante da morte — e escreva com contenção, sem sentimentalismo — diz muito sobre o que uma formação clássica e cristã cultiva na alma.
Uma revista inteira, muitas vozes
LITERA não é obra de um só talento. É a colheita de uma turma. Ao lado do conto de capa convivem histórias de gêneros e tons muito diversos — prova de que a imaginação, quando exercitada com liberdade e método, floresce em direções inesperadas:
- Os vizinhos, de Maya de Carvalho Vieira Fernandes — um suspense sobre como a obsessão por crimes reais pode distorcer a realidade e cegar-nos para o que está bem diante de nós.
- A Cidade Vazia, de Maria Esther Guedes Costa — uma fábula de ficção científica sobre um mundo dominado por máquinas e a pergunta sobre o que resta de humano.
- A Não Volta dos que Foram, de Malu Medeiros Roquete — uma aventura infantil com sabor de lenda, sobre a imprudência e o preço de partir sem avisar.
- O Próximo Minuto, crônica de Miguel Chalegre Nardelli de Souza — uma reflexão poética sobre a espera, o cansaço cotidiano e o tempo que insiste em parar no ponto de ônibus.
E há ainda outras — A menina e o cachorro, A viagem, O último suspiro, Os três pinhões, Regressar ao Paraíso do Pijama — cada uma com sua voz. Algumas trazem a fé sem esforço, com naturalidade: uma personagem que reza antes de comer, uma conversa que começa depois da Santa Missa. Não é doutrina colada por fora; é uma visão de mundo que já habita quem escreve.
É isto que a educação clássica forma
Ler bem e escrever bem não são talentos de alguns — são frutos de um método. Numa consultoria educacional gratuita, mostramos como o Trivium e as leituras clássicas preparam o seu filho para pensar com clareza e se expressar com beleza, ano a ano.
Agendar Consultoria GratuitaPor que isto importa
A pedagogia clássica coroa o Trivium com a Retórica — a arte de expressar, com verdade e beleza, aquilo que se pensa. LITERA é essa arte em ato. Os alunos não decoraram uma técnica de escrita; eles a exerceram, criando obras próprias porque tinham repertório, vocabulário e coragem para tanto. É o que acontece quando a criança lê os grandes autores desde cedo, em volumes inteiros: um dia, ela quer escrever os seus.
Ao professor Daniel Saldanha e a cada jovem autor de LITERA, a Acutis Academy presta sua homenagem. A primeira edição de uma revista costuma ser a mais difícil — e a mais bonita. Que venham as próximas.



